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Nós somos Marcus Ramos e Mateus Cony, a dupla DOPEL. O nome DOPEL surge como uma espécie de oficialização, quase burocrática, de uma relação de quase quinze anos entre a gente. Desde os 13, a gente usava o que tinha à disposição pra tentar contar alguma história em vídeo. Aos 16, começamos a fazer clipes de rap independentes e passamos um ano inteiro economizando pra comprar a nossa câmera da época, até que, aos poucos, fomos perfurando a bolha do mercado audiovisual. DOPEL é um sósia, uma cópia exata de uma pessoa viva, sem parentesco genético, frequentemente associada a um duplo fantasmagórico. A gente se enxerga como dois outputs diferentes de um mesmo input muito parecido. DOPEL acaba sendo o nosso jeito de organizar e apresentar nossas personas de forma facilmente identificável, e que ainda serve pra evidenciar a variedade do nosso corpo de trabalho. A gente está sempre tentando fabricar novas imagens, mas com a DOPEL queremos oferecer esse olhar também como um serviço, sem cair nos processos “pinterest” que vêm criando tantas imagens iguais. A cultura hoje parece estar num estado de autofagocitação bizarro, regurgitando símbolos e despejando tudo numa interface onde tempo e espaço já não fazem muito sentido. Nada dura. Todo mundo quer viver o acontecimento, mas já olhando pra próxima coisa, o mais rápido possível. A gente quer ir na contramão disso, criar imagens novas, que durem, que pelo menos fisguem a atenção de quem está vendo e, quem sabe, tirem essa pessoa do piloto automático.

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