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Por enquanto, nada aqui.
Ambivalente é o estado de espírito conflitante com o qual nos deparamos em relação a alguma pessoa ou aspecto, termo que batiza o projeto musical encabeçado pelo cantor e compositor Rodolfo Ribeiro dos Santos. O contraste de sentimentos e a sonoridade densa do projeto abordam a temática da saúde mental pelo filtro da liquidez das relações. Em novembro de 2019, lança o disco “Memorycard”, com influências que vão de Milton Nascimento e Itamar Assumpção até King Krule, Fiona Apple e Beach Boys. Composto por oito faixas gravadas entre 2017 e 2019 no Estúdio Fazendinha e produzido por Patrick Laplan, o trabalho busca, através da memória, narrar situações que vão do cotidiano ao confessional.
Insônia Tem sido difícil Difícil de dormir Insônia acabou Com o resquício de Forma ou exatidão Com a convicção Que a dor vai sumir Se eu sumir daqui O calor dessa coberta me acobertou E p que era mental Se tornou físico Será que eu vou agir Ou só assistir Será que tem alguém me ouvindo E no final eu nunca To por inteiro aqui No chão da sala espalhados Os fragmentos de mim Tudo é tão reto e opaco Deve ser por isso que O abismo tá aí pra se jogar E se atirar Insônia
Como eu ponho em palavras O que não tem palavra ? Como eu pego um sentimento E transformo em argumento Pra te convencer ? Todo dia ela me salva Diz pra eu manter a calma Mesmo em meio aos meus demônios Ela faz sonhar o sonho Quando eu te escrevi isso Eu realmente pensei Eu pensei que a gente se bastava Que era lindo não saber onde eu começava e onde você acabava Tudo é mágica até ser realidade E na realidade Não tem sorriso que não se esvaia As fotos do que fomos pareciam tão claras Hoje elas são apenas umas... Umas imagens embaçadas! Você não sabe como dói colocar isso tudo em palavras! Você não sabe como dói Tudo!! O amor construído Destruiu o meu ser Ninguém sai ileso de ninguém Como eu ponho em palavras O nosso conto de faltas ? Como eu ponho em palavras O que eu não digo em voz alta ?
Suficiente Eu só não quero me abrir pra nada ou ninguém Toda essa coisa de estar suscetível Pra depois deixar o rio seguir Enfim, nunca foi pra mim Eu só não quero me abrir pra nada ou ninguém Eu só quero ficar quieto Não é mais como se eu fosse acreditar em certos Amigos ou aspectos Que me roubaram a visão de que Algo é eterno Que há Algo de sincéro E eu quero Me bastar Pra não decepcionar Cada detalhe, cada olhar sorriso ou gesto Me mostra o quanto é inútil Preservar o que se vai sem te avisar Não vão te esperar Será ? Algo é eterno Que há Algo de sincero E eu quero Me bastar Pra não decepcionar
Intacta é a ausência em ter o vácuo Seguro em minhas mãos Ferida aberta e invisível É a solidão de ver Uma faceta de vocês Alguém que eu não quero conhecer Pensei que nós tínhamos a nós Três Se das pessoas eu me distancio Morro só , no frio Porque sempre que eu me aproximo Se revelam espinhos E eu não vou romantizar Nossa verdadeira natureza De confiança feita pra quebrar Pro que der e vier Só enquanto quiser Verdadeiro irmão Que de mim abriu mão
E é difícil ter alguém que não se canse E é difícil ser o mesmo de antes Todos vão desaparecer Ninguém vai perguntar por voce Me afoguei em corpos por puro prazer Acelero o processo de me esquecer Ele é tão pé no chão que não conseguiu sonhar Ele só quer saber Onde pisar Aprendeu a nada dos outros voce esperar Mas então por que Ainda falta ?
Aniversario Deixou cair um cisco e derrepente chorou Não quer mais ser tão sensível Olha onde isso o levou Deixa as angústias de lado Que isso não mais importa E se importar Deixa alojar Sempre em segundo plano Sempre a segunda opção A tua sina é ser sombra pra esse clarão E eu me sinto um fracasso Nos lençóis desse quarto Mais um mês Mais um aniversário Peguei o que sobrou O pouco do que eu sou Mal se cicatrizou O dia me passou Sonho bom não quero te estragar Ainda mais mensurar Como vai ser quando eu acordar E arrancarem de mim esse sonho ?
Atrofiada A inocência de um amor tão tranquilo To me sentindo tão sem ninguém pra falar sobre isso Tão repentino companheirismo de momentos específicos No final eu só conto comigo E eu sou descartável Só mais uma das Milhões de cartas do baralho E é por isso que eu Quero morar no imaginário Onde tenha alguém Ooooh Certo como a fluidez do rio Nada se destaca na ilusão O mito do insubstituível É o que escorre das nossas mãos E eu sou descartável Só mais uma das Milhões de cartas do baralho E é por isso que eu Quero morar no imaginário Onde tenha alguém Ooooh Alguém do meu lado Pra eu acreditar Que ali eu sou necessário E que não há medo Em se sentir tão desarmado Somos carne e osso Ou De plástico ?
Lembra quando a gente ouviu junto Your Hand in mine E eu te levei no show Do Explosions in The Sky A gente não queria nada mais Que discutir sobre os posts Do Berlin art parasites Parece que foi ontem... Lembra dos sonhos Do Arranha- Céus Do seu Manoel Da São clemente E do Leblon Do ruim e do bom Hoje é tudo tão distante Não importa o quanto eu cante Sei que nada será como antes E eu não quero seguir adiante Vou me esquivar Me preparar Ao me deparar contigo A gente virou nada menos Do que um arquivo De memórias impressas no corpo Sonhadores se tornando estorvo Um do outro E eu to louco pedindo socorro Todo dia 2 de novembro Eu estou morto